Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Jeito masculino

“Não é nada disso que você está pensando!”

Por Leonardo Dualit

Sem essa! É exatamente isso que ela está pensando, sim. Não é de hoje que homens e mulheres traem… E também não vai ser hoje (nem nunca) que eles deixarão de trair. A velha “pulada de cerca” é um dos assuntos que mais recheiam os divãs e as páginas policiais. Mas se isso traz tantos problemas assim, por que é que ainda insistimos na infidelidade? Ora! Porque é bom.

Mais do que uma escapadinha ou (como nós homens costumamos falar) “uma válvula de escape”, a traição muitas vezes é o que mantém uma relação. Vou dar o exemplo de uma mulher para que não falem que estou sendo machista e nem que estou fazendo apologia à infidelidade masculina. Portanto, imagine-se num casamento de longos anos, você insatisfeita com seu marido, ele sempre chateado porque não tem grana, os filhos revirando a casa toda… E de repente, no supermercado, um jovem rapaz bonito, sarado e gentil (isso existe de verdade?!) te dá uma ajuda para pegar a lata de milho-verde no alto da prateleira e começa a puxar papo. Vocês trocam telefones e acabam marcando para saírem… Apenas como amigos, é claro, pois você não é “nenhuma vagabundinha que vai dar para o cara na primeira vez”.

Mas você acaba dando. E volta para casa com um sorriso que não cabe no rosto, dá um longo beijo no maridão, libera o video-game para as crianças, manda pedir um jantar no chinês e nem liga de assistir ao futebol na hora da novela; ou seja, seu casamento volta a ser perfeito. Felizes para sempre!

Você deve estar se perguntando se eu estou aconselhando todo mundo a trair?! Muito pelo contrário. Acredito totalmente no inverso. A traição pode ser (e em muitos casos, é) um artifício para equilibrar um casamento. Mas isso só ocorre porque esse casamento já não existe mais; ou talvez nunca tenha existido. Hoje estimo que 90% dos casais se unem pelos motivos errados. E não porque se amam. Parece piegas, mas é fato. Desse total quase todos acabam em ruína. E entenda-se ruína, não como “separação”, mas como permanência de um estado de infelicidade recíproco. E qual é a melhor saída? A separação ou o adultério. Mas ninguém tem coragem de se separar, para não dar o que falar aos vizinhos, ou para não ter que recomeçar a vida, ou por causa dos filhos, ou para não perder as mordomias financeiras ou qualquer outro motivo que justifique sua covardia. Assim, resta a traição… E as milhares de mentiras arquitetadas para encobri-la.

Às vezes acho que seria mais digno se houvesse sinceridade na traição. Explico: se você traiu, fale logo a verdade! Seja homem (ou mulher) o bastante para assumir seus atos e jogar logo as cartas na mesa; e ligar para o advogado para preparar os papéis do divórcio. Viver numa mentira é deixar de viver! E é isso que esses 90% estão fazendo hoje.

Ah! Você deve estar se perguntando sobre os outros 10%. Bom, esses se casam por amor. E estão felizes até hoje, com filhos, cachorro, jardim florido e não sentem a menor necessidade de trair. Antes, eu costumava dizer que para o adultério acontecer bastavam duas cosias: vontade e oportunidade. E acreditava que a vontade era inevitável, “todos têm vontade”. Com isso, o que poderíamos fazer era tentar minimizar as oportunidades. Mas isso é viver em estado de tensão. Como o soldado que atravessa o campo inimigo, sempre atento para não dar nenhum vacilo e ser abatido. Além disso, se a mulher (ou homem) que está com você sente necessidade de te trair é porque ela (ou ele) não te ama. Aí eu pergunto: vale a pena?!

A vontade só existe onde não há amor. Falo amor de verdade, aquele que nos completa, que mesmo depois de décadas de casamento ainda faz com que a gente se emocione ao ver os raios do sol refletidos sobre a pele já enrugada pelo tempo… (e isso sim, existe!) Quem trai está tentando suprir uma necessidade, preencher um espaço que existe em sua vida. E quem ama… é pleno.

5 Comentários »

  Liliane Mira wrote @

Discordo que as pessoas se unam pelos motivos errados a não ser em casos específicos, mas 90% puxa vida é d+. Se alguém está junto e não cai fora, por alguma coisa é! E os casos de pessoas que apesar de estarem juntas e sua vida conjugal estar atravessando uma crise, mesmo assim não pulam a cerca? È que tb as há! Toda gente tem fases na sua vida pessoal melhores e piores e o verdadeiro amor sabe-se mesmo é nas piores horas onde os 2 estão lá. O problema é que hoje em dia mtas pessoas confundem paixão, tesão com amor e aí sua estatística tlz já seja mais coerente. Tb vive-se na lei do menor esforço onde é mais fácil arrumar outra pessoa do que consertar as coisas com a pessoa que estamos, etc e por aí vai a coisa correndo solta. Do que já vi de perto, as traições são péssimas pra uma relação, a pessoa traída experimenta uma falta de auto-estima, auto-confiança, segurança tal que pode gerar um estado de paranóia mto grande e apesar de ainda quiçá gostar daquela pessoa e não querer romper os laços que os unem, não consegue fugir a esses comportamento auto-destrutivos. Por outro lado a pessoa que traí experimenta aquele gostinho do desafio, da novidade, da aventura e por vezes deixa-se levar por isso e se entrega a esse sentimento, acabando com tudo que estava para trás e que tinha sido construído até então. Tudo resume-se ao ego exacerbado da época em que vivemos onde já não há moral nem bons costumes e olhe que sou nova hein. Tenho 28 anos, mas penso assim desse jeitinho feminino RRSS. Bom é só a minha opinião. Um abraço

  ril wrote @

olha dualit, eu acho que vc já foi traido, e eu ñ concordo nada com esses 90% que vc disse.

  Raimar Lima wrote @

Traição é um tema muito polêmico, muito complexo e que dá espaço apenas a poucas conclusões, como “não trair” ou “se for trair não se case”, etc…
A questão de se casar por amor é muito válida pra mim – pessoalmente -, mas todos nós sabemos como é difícil isso acontecer. Às vezes nos dispomos a amar, e lá na frente quebramos a cara! Como saber se é recíproco? É meio difícil saber.
O fato é que o amor na relação é inversamente proporcional as chances de traição, então não adianta se casar apenas por modismo ou comodidade ou quaisquer outros motivos; Se queres ser feliz no casamento, encontre sua outra metade!
Este é apenas o meu ponto de vista, não viso modificar a opinião de ninguém, mas fico aberto a outros comentários!

  Renato wrote @

Eu concordo de maneira plena com o seu ponto de vista e acredito sim nos 90%.
Adorei a matéria.

  Miriam wrote @

Durante dois anos procurei respostas sobre traição na Internet e só encontrei tolices ou relatos de psicólogos sem nenhum teor prático. Fato: o que faz alguém trair o outro? Quantas vezes vejo pessoas dispostas a amar, abrirem totalmente seu coração, acreditarem na “felicidade” e logo adiante são traídas cruelmente por seus parceiros. Digo cruelmente porque entregaram-se, acreditaram que tinham encontrado a “cara-metade”. Jogaram-se de cabeça na relação. Apostaram todas as fichas. Se não amamos, não fomos felizes porque nunca nos entregamos. Se amamos é porque não éramos amados. Uns dizem que é apenas sexual… outros é porque não havia amor na relação, estava “desgastada” e por aí vai. Se alguém tiver uma resposta minimamente coerente para isso, por Deus, exponha. Porque eu, ainda não encontrei.


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