Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Coisa Boa

Mentir faz bem!

E a ciência parou para olhar isso.

Por Tullio Andrade

Se você não acredita, então converse com os especialistas do Functional Brain Imaging Centre da Faculdade de Medicina da Universidade de Temple, na Filadélfia. Segundo eles, mentir faz bem sim… Pelo menos para o Cérebro. Os mentirosos, enquanto contam uma história, ativam o dobro do número de áreas do cérebro que as pessoas que falam a verdade. Isso se explica porque ao mentir é exigido um maior esforço da mente para que a pessoa possa suprimir a verdade, arquitetar a mentira que vai substituir os fatos verdadeiros e, simultaneamente, se mantenha coerente para não cometer equívocos na falsa estória contada e, assim, possa ser convincente.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas realizaram um experimento com onze voluntários submetidos a um experimento que pretendia analisar, através de ressonância magnética, a mente do mentiroso em plena ação. Para isso, seis indivíduos atiraram com pistolas de festim e foram orientados a mentir quando perguntados se haviam feito os disparos. Os cientistas constataram que os cinco voluntários que não atiraram (e conseqüentemente não mentiram ao serem interrogados) apresentaram apenas sete áreas ativas em seus cérebros, enquanto que os mentirosos ativaram 14 áreas. Além disso, o experimento revelou um outro aspecto: a mentira deixa marcas visíveis no cérebro humano! A partir do mapeamento do cérebro através da ressonância magnética é possível ter 90% de certeza na hora de identificar um mentiroso. Se antes era relativamente fácil enganar o polígrafo (detector de mentiras amplamente utilizado nas investigações criminais nos EUA), agora é quase impossível burlar essa nova técnica, até mesmo porque a margem de erro existente é para casos como os de doenças psíquicas mais complexas; como pessoas que ao contarem uma mentira acreditam veementemente estarem falando a verdade.

Em outro estudo através de ressonância, a cientista Yaling Yang, da Universidade do Sul da Califórnia, estudando a mente de pacientes que sofriam de “mentira patológica” (pessoas que mentem compulsivamente) detectou que esses indivíduos possuem 22% a mais de substância branca (responsável pela ligação entre os neurônios) nas regiões do cérebro relacionadas à tomada de decisão e ao discernimento, possibilitando, com isso, uma maior quantidade de conexões de dados. Para a pesquisadora ainda não há conclusões que indiquem se há pessoas que já nascem com excesso de substância branca ou se isso se desenvolve com o exercício constante da mentira. De qualquer forma, os mentirosos devem deixar suas barbas de molho, pois está cada vez mais simples identificá-los.

Mas se isso é assim tão fácil, então porque mentimos? Simples. “A enganação está em todo lugar porque ela oferece vantagens àqueles que sabem utilizá-la”, afirma David Smith, psicólogo da Universidade de New England, nos Estados Unidos, autor do livro Why We Lie (Por Que Mentimos). Além disso, ninguém anda por aí com um aparelho de ressonância magnética para identificar quem mente ou não. Ainda bem, porque seria uma verdadeira bagunça. Já imaginou a quantidade de brigas e vexames se todo mundo pudesse identificar quando falamos uma mentira? Imaginou? Então pode multiplicar esse “desastre”, pois segundo a Psicóloga Mônica Portella, autora do livro “Como identificar a mentira”, pelo menos uma em cada quatro vezes que entramos em contato com outras pessoas nós contamos uma mentira; ou seja, 25% do tempo estamos mentindo.

E porque mentimos tanto? Para o psicólogo Fábio Augusto Caló, em artigo publicado no site http://www.saudebh.com, “Tanto falar a verdade quanto contar uma mentira, são comportamentos verbais aprendidos e mantidos pelas conseqüências que produzem, em primeiro lugar, para aquele que fala. Assim, se alguém é beneficiado por contar uma mentira, tal comportamento pode ser aprendido.”. Caló ressalta ainda que em situações em que estamos sendo julgados por nossas atitudes tendemos a mentir. “Se um pai pune o filho quando ele relata que assistiu TV quando deveria estudar, é importante observar puniu principalmente o comportamento de dizer a verdade. Pense, após ter sido punido por dizer a verdade, você a diria novamente?”, questiona. No entanto, ele reconhece que não se pode exagerar e passar a não punir o filho, por exemplo,
só porque ele disse a verdade.

Então, afinal de contas… Mentir ou não mentir? Eis mais do que uma simples questão. Se nem grandes pensadores como Kant e Schopenhauer chegaram a um consenso, por que é que nós vamos colocar mais lenha na fogueira?! A mentira já faz parte do nosso cotidiano; e na maioria das vezes nem nos damos conta disso. Entre “jeitinhos brasileiros” e “mentirinhas inocentes” vamos atingindo nossa conta diária de mentira; afinal, “se um dia um ser humano for completamente honesto com outro, a vida se tornará um caos”, alerta o psicólogo David Smith. E se eu fosse você, começaria também a duvidar das “verdades” escritas nessa matéria… Pois os repórteres também mentem. E como mentem!

 

Se mentir o nariz cresce…Não é só o Pinóquio que traz no rosto as marcas da mentira. Existem indícios fáceis de notar quando alguém está mentindo para nós. E não é preciso nem escanear o cérebro alheio para percebê-los. Da mesma forma como os polígrafos identificam as reações de nervosismo do mentiroso, esses sinais são perceptíveis ao olho mais atento. No entanto, há “mentirosos profissionais”, que se aperfeiçoaram tanto nessa arte que conseguem dissimular suas próprias reações. Basta assistir o horário eleitoral gratuito!

Os Olhos. Normalmente o mentiroso não consegue olhar fixo nos olhos da pessoa enganada.

A Voz. Ao mentir, costumamos alterar nosso tom de voz, pois se trata de uma situação não-natural. Em alguns casos também pode haver sorrisos em excesso.

O Rosto. Outro indício muito comum, mas pouco perceptível, é quando o mentiroso fica corado.

As Mãos. Em situações normais gesticulamos muito ao falar. Quando mentimos esses gestos tendem a diminuir bastante. Geralmente o mentiroso recorre à tática de por as mãos no bolso para evitar que suas mãos o denunciem.

A Pele. Aqueles que não são “profissionais” na mentira, geralmente não controlam o nervosismo e suam bastante.

As Pernas. Pés e pernas agitados podem denunciar a enganação, pois não param de se mexer.Além desses sinais, existem outros mais difíceis de perceber. São reações orgânicas como aumento da freqüência cardíaca, elevação da pressão arterial e aceleração do ritmo respiratório.

Anúncios

No comments yet»

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: