Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Jeito feminino

Prem Ameeta

Para todos os tipos de pele

Por Prem Ameeta

Tudo bem, eu prometi para mim mesma que nunca mais voltaria a fazer uso de tratamentos de beleza caseiros. Que faria uso de todos os meus cosméticos práticos, eficazes, empoeirados e beirando a invalidade. Eu tinha prometido… Mas ultimamente uma onda “Bio” atingiu o meu ser. Este lance de aquecimento global mexe de verdade com a nossa cabeça, e acredito que só mesmo muito sol na cabeça tenha me feito mudar de idéia, e a voltar à época em que eu não tinha dinheiro pra me bancar cosméticos que ficariam empoeirados e a beira da invalidade.

O problema destes tratamentos caseiros, é que eu sempre fico na dúvida quanto ao produto, aos ingredientes, a quantidade, e acima de tudo, ao resultado do tratamento. Sempre tem uma tia, ou uma prima da amiga que testou e diz que é ótimo. Mas infelizmente nem a tia, nem a prima da minha amiga estão estampadas na contracapa da minha revista favorita.

Mas desta vez, a culpa não foi nem delas, nem da revista. Desta vez a culpa da minha dieta. E com aqueles famosos dois quilos a mais que toda mulher “semi-magra” precisa perder, ultimamente estou sempre de dieta.

De frente pro espelho. Começo a aplicação, em “pequenos movimentos circulares”, e é sempre nesta hora, que uma porção de mingau, alias, mascara cai no chão…

Nada de pânico, puxo a toalha de banho, limpo a gororoba. Termino a aplicação. Hora de relaxar. Deito no sofá: incenso, saquinho de chá de camomila em cima dos olhos pra combater as olheiras, Djavan. Dois minutos depois o telefone toca. Sempre toca… Ele vai sempre tocar… Atendo. Alguém do outro lado da linha bate o telefone na minha cara (deixando no ar se foi um mal educado que ligou por engano, ou a possível amante do seu marido ligando pra ele enquanto ele esta no trabalho). Respiro afinal este é o momento “zen” do tratamento. Volto pro sofá: cha de camomila, incenso, e Djavan.

Dez minutos de paz e relaxamento… Sinto o perfume da camomila misturados ao do incenso e da aveia. Meu rosto começa a pinicar… O que me faz sentir ainda mais o poder hidratante do iogurte!

Dez minutos depois, quando o “vem me fazer feliz, por que eu te amo” começa a me fazer lembrar o meu primeiro amor, a campainha toca… Ela também sempre vai tocar… Olho pro relógio. Mais onze minutos se passaram. Corro pro banheiro, lavo a cara, afinal dois minutos a mais, dois a menos não vão fazer tanta diferença…

Volto pra atender a porta: a vizinha. Ela aparece para agradecer a ultima xícara de açúcar emprestada, e olhando fixamente para o farelo de aveia colado na minha sobrancelha, me recompensa o favorzinho com uma generosa fatia de bolo de chocolate.

Agradeço. Fecho a porta. Resolvo voltar ao banheiro para rever os resultados com mais calma. De frente pro espelho, a única diferença visível entre o antes e o depois: Aveia na sobrancelha, mel colado nos cabelos, e metade do bolo de chocolate na boca. Em nada adiantou usar o iogurte light, 0% gordura, 50 quilocalorias por pote, da minha dieta num tratamento de beleza. Afinal, dieta é dieta. Beleza é beleza.

Tiro o telefone ainda melado do gancho, e marco uma consulta pra próxima folga com a esteticista, entre os horários da ginástica e da terapia.

Volto pra sala. Sofá sujo de Mingau, tapete molhado de chá de camomila, cinzas de incenso no teclado do computador, e enquanto finalizo as migalhas do que sobraram do bolo de chocolate, relaxo ouvindo o Djavan cantar “eu te devoro”…

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2 Comentários»

  Rayssa Pata wrote @

Ahahhahaha.
Muito bom Gabi!
Me identifiquei muito com o texto, há uns anos.. pq hj em dia, sinceramente, a preguiça tomou conta de mim e a impaciência também.
Mas essa do mel com açucar funciona, sim!
Já experimentou maizena no cabelo? Faz maravilhas! Hahaha.
Beijos.

  MOURA wrote @

“PARA TODOS OS TIPO DE PELE”
– É assim mesmo Carol! Essa é a velha história de nossa vaidade humana… e que, por vezes, me faz sentir em uma encruzilhada entre dar vazão a este “meu/nosso” lado narcisista ou a me concentrar em assuntos mais relevantes do dia-a-dia, tipo, acordar cedo, tomar aquele banho frio e fazer uma bela caminhada e, prazerosamente acompanhar o nascer do sol que se eleva das dunas lá no campus universitário (existe algum creme que dê essa sensação de prazer?! rsrsrsrsrsrs), ou mesmo procurar tempo para assistir aquele filme de comédia que nos faz copiosamente rir estimulando nosso organismo a liberar endorfinas que contribuem também para um rejuvenescimento de dentro pra fora.
– Em todo caso, voltando ao tema central… adorei a narrativa intimista e despojada dada ao texto de sua coluna nesta revista digital Jeito Feminino!
– O que achei demais no texto é que ele é bem contemporâneo e poder ser analisado/lido sobre vários prismas.. desde a conotação efêmera pseudo-narcisista, passando sobre o aspecto da banalidade do nosso cotidiano, bem como podendo ser interpretado apenas como uma sátira de engraçados e por vezes estúpidos momentos de nossas vidas.
– Além do que, você aborda um assunto muito atual e de uma forma que nos faz sentir emoções, relembrando momentos vividos ou parecidos do nosso caótico cotidiano…
– Parabéns pelo belo trabalho! Continue assim. E, como sempre digo… você vai longe gata! Bjão!


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