Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Coisa boa

Seu corpo: Sua casa, seu templo.

Por Tullio Andrade

Consciência do corpo

“O corpo é a parte visível da alma. A alma é a parte invisível do corpo”. Com essa citação o mestre indiano Osho sintetiza o que é a consciência corporal. E mais que isso. Fica evidente que tomar consciência de seu corpo enquanto seu próprio ser propriamente dito é tomar consciência de sua existência. É através dele que captamos as impressões do mundo e que expressamos nossas idéias e emoções. A concepção sedimentada ao longo da história da humanidade de que o corpo está numa hierarquia inferior à mente e ao espírito o transformou numa espécie de escravo da mente e um receptáculo para a alma. Nietzsche, séculos atrás, já se preocupava com essa questão. Segundo ele, “por trás dos mais altos juízos de valor, pelos quais até agora a história do pensamento foi guiada, estão escondidos mal-entendidos sobre a índole corporal, seja de indivíduos, seja de classe, ou de raças inteiras.”.

Atualmente, mesmo com a valorização do corpo, alimentada pela indústria da boa forma, ainda encaramos o nosso próprio corpo como uma “coisa” que está além de nós mesmo. Pense rápido: quando você olha uma mulher bonita com aquela barriguinha sarada e pernas bem torneadas, qual a primeira coisa que você diz? “Aquela mulher tem um corpo lindo!”. Engano seu. Ela não tem um corpo. Ela é um corpo lindo.

“O indivíduo não possui um corpo, ele é o seu corpo. Tudo o que ele expressa, pensa, age, sente, ele o faz com seu corpo. No corpo está toda a história, tanto do indivíduo como de sua sociedade. O corpo é a prova da indissociabilidade entre Natureza e Cultura.” A frase é de Jocimar Daolio, doutor em Educação Física e livre-docente do Departamento de Educação Motora da Faculdade de Educação Física da Unicamp. Para ele, mais que se buscar um corpo “malhado” é preciso ter consciência dele. Mas como fazer isso?! Para Daolio “Não há receitas prontas ou fáceis ou de curto prazo. Penso que um dos caminhos seria uma ênfase maior na educação de crianças e jovens, especialmente numa educação dos sentidos. Uma Educação Física escolar que desse ênfase ao corpo, às suas expressões; que propiciasse que cada um aceitasse o seu corpo sem ser vítima de preconceito ou discriminação, uma aceitação das diferenças corporais.”.

Corpo: sua casa

Tomar consciência de seu corpo é perceber a si mesmo. O nosso corpo está em constante funcionamento, são diversas atividades que não param nunca, mas nós nem percebemos. Respiramos, pulsamos, suamos, salivamos, caminhamos… Mas só lembramos dessas coisas quando algo está errado. Por que é que só paramos para prestar atenção a nosso sistema digestivo, por exemplo, quando cometemos excessos à mesa e no dia seguinte estamos sofrendo com intermináveis dores de estômago?! Não seria mais fácil conhecer seu próprio corpo e saber que se exagerar na feijoada a sua digestão pode entrar em colapso!?

O nosso corpo fala conosco o tempo todo e muitas vezes não ouvido o que ele diz. “O corpo é um espelho das nossas crenças e dos nossos pensamentos mais íntimos. (…) Cada célula reage a cada pensamento seu, a cada palavra que você pronuncia. Por isso, se prolongamos durante muito tempo determinadas formas de pensar e de falar, elas irão produzir comportamentos e posturas corporais, assim como um maior ou menor bem-estar.” Essa idéia é defendida pela professora de metafísica e escritora, Louise Hay no livro “Você pode curar sua vida”. De acordo com ela, ter essa percepção de si mesmo facilita na hora de identificar possíveis causas de males que acometem o corpo. (Veja Quadro abaixo). Para ela, as doenças são “a maneira que nossos corpos encontram para nos dizerem que estamos com uma idéia errada, com uma percepção falsa, e que precisamos mudar nossa forma de pensar.”.

Os primórdios: Para os povos primitivos em todas as celebrações importantes havia uma participação direta do corpo, seja por pinturas, danças, rituais etc.

O Renascimento: Durante o século XVII a valorização intelectual proporcionou um distanciamento do corpo e da mente, estabelecendo uma hierarquia entre eles.

O Capitalismo: Karl Marx trouxe a visão do corpo oprimido. Com a expansão do capitalismo e a exploração da mão-de-obra o corpo passou a ser visto mercadoria nas mãos das classes dominantes.

O Cristianismo: Segundo Daolio “a tradição judaico-cristã foi (e ainda é) cruel com a dimensão corpórea, fazendo do corpo ou a ‘morada da alma’ ou o ‘perigo para o espírito’. No primeiro caso ele era apenas um receptáculo ou um local de habitação para a dimensão importante do ser humano. No segundo caso, ele era aquilo que poderia desvirtuar o indivíduo, tentado pelos prazeres da carne. Não é a toa que ao corpo eram impingidos sacrifícios e castigos, a fim de que puni-lo ou colocá-lo no caminho da retidão moral.”.

Corpo: seu templo

Mas por que é tão difícil perceber a si mesmo? Eis a questão! Não é difícil. Na verdade a natureza do homem remete a essa percepção de si mesmo. Os povos primitivos (menos afetado pelas revoluções da modernidade) sempre estiveram “de corpo presente” em todos os acontecimentos importantes. Seja através de dança, pintura ou rituais; mas com o tempo isso se perdeu. Foram séculos de repressão e desvalorização do corpo seja sob aspectos filosóficos, econômicos, religiosos e educacionais. O modelo de educação usado nas escolas ocidentais não valoriza a experiência sensorial, dando pouca importância à participação do corpo no processo de aprendizagem. Com isso, acabamos por ter uma compreensão de mundo limitada. A escola concentra a aprendizagem em um universo abstrato. Mas como entender, por exemplo, a diferença entre o clima quente do Sertão brasileiro e o frio das geadas gaúchas apenas pelos livros?!

No entanto, entender porque perdemos nossa consciência corporal não vai fazer como que você comece a se perceber. Essa é uma tarefa sua. O mestre Osho destaca a meditação como uma boa forma de “olhar para si mesmo”, ele orienta que meditação é observação e você pode fazer isso agora mesmo, Quer um exemplo? Você está aí sentado de frente para o computador. Observe como o seu corpo está participando desse momento? Você está sentado todo desleixado? Está sentindo frio? Está com fome? Está de pernas cruzadas? Normalmente fico horas de frente ao computador escrevendo e, de uma certa forma, me abstraio do meu corpo; a sensação que tenho é que sou um cérebro flutuando no éter. Resultado: fico com as pernas dormentes e mal consigo me mexer quando termino meus textos. Falta-me a percepção de mim mesmo. E a participação do meu corpo em todos os momentos de minha vida. Pois sem meu corpo… eu não estou presente.
E você está presente ao ler essa matéria?

Ouça seu corpo!

Ouvidos. Distúrbios nos ouvidos geralmente significam que está acontecendo algo em sua vida que você não quer ouvir. Uma dor de ouvido indicaria que existe raiva do que está sendo escutado.

Olhos. Quando existem problemas nos olhos, geralmente há algo que não queremos ver, seja em nós mesmos ou em nossa vida, presente, passada e futura.

Enxaquecas. Dores de cabeça resultam da falta de autovalorização. Na próxima vez em que você tiver uma dor de cabeça, pergunte-se em que acha que errou. Enxaquecas são criadas por pessoas que querem ser perfeitas e criam muita pressão em torno de si.

Rosto. Distúrbios nos seios da face representam irritação com alguém de sua vida, alguém muito próximo. Você pode até sentir que está sendo espezinhado por essa pessoa.

Garganta. Inflamação na garganta é sinal de raiva. Quando há também um resfriado, existe confusão mental junto com ela. A laringite em geral significa que você está tão bravo que não consegue falar.

Costas. Problemas nas costas geralmente significam que estamos carentes de apoio.

Estômago. Quando temos perturbações de estômago, geralmente significa que não sabemos como assimilar a nova experiência. Sentimos medo dela.

Pele. Problemas de pele significam que achamos que nossa individualidade está sendo ameaçada de alguma forma.

Câncer. É uma doença causada por um ressentimento profundo abrigado por tanto tempo que ele literalmente começa a comer o corpo.

Obesidade. O excesso de peso representa a necessidade de proteção.

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5 Comentários»

  Ariane Vidya wrote @

Oi Flor!! Adorei a revista o layout e td mais. A matéria sobre o corpo está ótima. bjs Vidya

  Vania wrote @

Muito boa essa matéria! Vou reler e reler até “aprender” de verdade! Muito bacana a iniciativa!
Bj e conte comigo!

  Luana wrote @

Olá,

Primeiro gostaria de parabenizar pela revista, ótimo desing e reportagens interessantes. Entretanto, caro amigo Túlio, não concordo com uma afirmação sua: “Ela é um corpo lindo”. Quer dizer que não sou nada mais que um conjunto de células, tecidos e órgãos???? E quando a força vital desse corpo acabar, que serei eu? Deixarei de existir? Em verdade acredito que nosso corpo é exatamente o que foi tão bem colocado na capa, nossa casa e nosso templo, e como tal merece todo o cuidado e zelo de nossa parte. Mas não me resumo a ele, é meio de manifestação de meu verdadeiro eu, miha alma se preferis, claro que minha capacidade de manifestação estará condicionada ao meio que utilizo, por isso, cuidemos do nosso corpo.

  Norma Pallavi wrote @

Linda materia Tulio, valeu, vou dar uma olhada nas minhas enxaquecas.

  Sissi Monteiro Lettieri wrote @

Mutio enriquecedora a revista o que podemos estar aprendendendo a cada dia alimenta a nossa alma.Todo aprendizado é saudável para nos tornarmos melhores sempre!O nosso processo evolutivo é dinâmico portanto parabéns pela criatividade da revista e dos seus conteúdos!!À mentora fico grata por encontrar mais um espaço harmonioso!


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