Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Jeito feminino

Prem Ameeta

A entrega

“ Foram alguns minutos, em que meu corpo entendeu o encanto de me entregar aos meus medos.”

Por Prem Ameeta

Me sentindo sozinha, numa multidão, me identifico pelo seu cheiro e as notas do seu perfume.

Me concentro e coligo o som dos seus passos vindo em minha direção.

Coração acelera. Respiração ofegante, transpiração e mais odores.

Não consigo olhar, estou cega diante de tantas impressões, fragrâncias, vozerios.

Suas mãos no meu ombro. Sinto a temperatura do seu corpo, que junto com a minha me deixam a percepção de estar em estado febril. Sinto fogo, estou inflamada.

Com a força dos seus braços me alavanca da cadeira. Enfim um abraço. Ouço sua respiração, sinto seu corpo. Meus poros se dilatam, meus pelos se arrepiam. Fico ainda mais sensível, mais diluída, mais possuída.

Não me falava. Não me perguntava. Apenas me guiava…Me direciona com as mãos na minha cintura. Atrás de mim, me impulsiona com seu corpo, que anda sincronizadamente ao meu. Seus ombros me protegem. Sinto seu desejo…

Fugimos.

Longe da multidão, somos livres. Agora ouço música, vozes, risadas.

Ao lado do carro, sua mão direita toca o meu rosto, escorregando em direção a minha nuca. A outra, gira o meu quadril. Seu corpo mais uma vez, me pressiona.

Volto a ficar surda para o mundo. Agora ouço apenas as batidas fortes e pontuadas do meu coração. Adrenalina, taquicardia. Sinto ainda mais o seu desejo.

Calor. Meu rosto arde, umedeço. Seus olhos agora buscam os meus.

Respiro o ar quente que sai das suas narinas, respiração irregular, aleatória, acelerada.

Enlaçada pelo brio de seus braços. Seus lábios enfim se aproximam dos meus.

Sua boca, molhada de lascívia. Você toca o meu pescoço, e escorrega sua mão cheia de dedos pelo meu colo, meus seios. Arrepio-me. Diluo-me. Perco minha identidade. Só existem seu corpo, e as minhas sensações. Beijo longo, úmido, devasso.

Sinto medo. Minha mente entra em cena, e quer me tirar dali. Dissolvido de prazer, meu corpo, imóvel.

Sinto pressa. Quero sair, finalizar o ato. Desfocar os olhos de uma multidão que ignora minha presença.

Dentro do carro, meu corpo se inquieta com a possibilidade de não dar tempo. Um incidente. Um acidente.

Não perco tempo. Não perco a vida. Minhas mãos renascem.

Removo o cinto que me mobiliza e me sufoca. O ar rasga os meus pulmões. Minha boca ganha autonomia… Meu corpo deflagra a volúpia de oferecer prazer ao seu.

Motor acelerado, sinal verde, acaricia meus cabelos, minhas costas, e a ponta dos seus dedos alcançam o meu quadril.

Sinal vermelho, freio. Afasta as mechas que cobrem o meu rosto. Sinto a vivacidade dos seus olhos que observam o indecoro dos meus lábios.

Sinto seu calor, suas veias, seu gosto.

Sem acidentes, sem incidentes. Foram apenas alguns instantes. Entre a solitude de uma multidão e a plenitude da sua presença. Foram alguns minutos, em que meu corpo entendeu o encanto de me entregar aos meus medos.

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2 Comentários»

  Paulo wrote @

Belo texto! Parabéns!

  Ariane Vidya wrote @

Ameeta! Q bom te ver e entrar na sua intimidade amorosa. Bjs Saudades.


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