Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Livre, leve e solto

A espontaneidade que o tempo nos roubou

“…nos nossos tempos de crianças éramos mais sinceros, capazes de sorrir para quem não conhecíamos, encontrávamos a beleza e o prazer nos brinquedos mais simples…”

Por Larissa Marques

O tempo ou a falta de tempo tem sido a palavra mais usada para justificar as nossas escolhas. Escolhas essas que têm construído a nossa história e que na ânsia de sempre crescer um pouco mais em algum aspecto da vida, privamos o nosso tempo do que realmente constrói a nossa essência do existir e nossa Qualidade de vida.

E assim, a cada dia percebo que o carinho, a solidariedade, o ouvir, a cooperação, o amor, a atenção e a Fé são seqüestrados dos nossos relacionamentos pela ausência de tempo. Mas se pensarmos bem: o nosso tempo está relacionado com aquilo que julgamos importante, como prioridade em nossas vidas; e se lacunas estão sendo criadas em nossas convivências afetivas, sociais, pessoais, familiares, espirituais e profissionais não é por falta de tempo, mas por escolhas que fizemos baseadas no que julgamos como prioridade. No entanto, permanecer na zona de conforto e atribuir ao estresse, à correria da nossa rotina e a ausência de tempo nos parecem mais atrativos do que encarar nossas fragilidades.

Às vezes olhando o mar, começo a me recordar de quantas vezes adormeci pensando no que teria para fazer no outro dia e acordei com o tempo cronometrado. De quantas pessoas eu conheço que usam a falta de tempo para justificar a ausência na vida afetiva seja ela conjugal, com os filhos, irmãos ou amigos. Lembro-me dos meus pais e de quantas vezes estava correndo atrás de meus sonhos e não dediquei a eles o tempo necessário; quantas vezes tive que trocar os seus carinhos pela tela do computador e depois chorei de saudades por não tê-los ao meu lado, recordo-me do quanto aprendo cada vez que observo e brinco com minhas sobrinhas.

Pois as crianças têm a grande capacidade de nos ensinar com a sua espontaneidade, nos nossos tempos de crianças éramos mais sinceros, capazes de sorrir para quem não conhecíamos, encontrávamos a beleza e o prazer nos brinquedos mais simples, éramos capazes de amar incondicionalmente, e de dar tchau para quem nos olhasse pelo vidro do carro. Expressávamos nossos sentimentos sem ter medo de ser recriminado, choramos quando sentimos vontade, rimos com coisas banais, mas éramos espontaneamente felizes. Mas o tempo passa e a vida adulta nos rouba essa espontaneidade, essa pureza e essa simplicidade. Pois, ela nos exige que nos tornemos pessoas sérias, caladas, calculistas, racionais, que muitas vezes não têm a coragem de olhar nos olhos dos outros porque eles podem expressar o que realmente somos e sentimos.

Espero que o tempo também não me roube a esperança de que posso recomeçar todos os dias, e que nesse recomeçar eu me permita ter a sede de aprender a enxergar a vida com os olhos de uma criança.

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1 Comentário»

  Wilton wrote @

Simplesmente maravilhoso, texto tocante para qualquer dia, qualquer hora, e falandoem tempo e em como se usa-o está semana houve de um amigo ” o que se tem mais apego hoje não é mais o dinheiro e sim o TEMPO” pensemos nisso e doemos um pouco do nosso. Parabéns gostaria de conhecer do coração que criou este texto, valeu.


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