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Coisa boa

Jogos eletrônicos

Que tal saber o que eles têm e podem fazer de bom?

Por Tullio Andrade

Já imaginou jogar video-game na sala de aula e não correr o risco de ser suspenso pelo professor ou ter seu aparelho confiscado?! Pois é, todas as crianças e adolescentes de hoje sonham com isso. E para a alegria deles essa realidade está mais próxima do que nunca.

A idéia de trazer os games para as escolas está cada vez mais difundida mundo a fora. Na Inglaterra existe até um centro de análise de softwares aplicados à educação, o Teachers Evaluating Educational Multimedia (Teem), do qual faz parte a educadora britânica Anne Sparrowhawk. Segundo ela já está mais do que na hora dos jogos eletrônicos migrarem para as escolas.

Desde a década de 60 que os games fazem parte da vida de muita gente. Principalmente após os anos 70, com a popularização do console Atari. De lá pra cá as diversas gerações de jogos que surgiram não apenas se aperfeiçoaram na qualidade, mas conquistaram cada vez mais espaço na vida de crianças adolescentes… e adultos. Isso mesmo, adultos também. E põe “também” nisso. Na verdade, nós somos maioria; pois a média de idade dos jogadores é de 33 anos. E o mais curioso é que hoje, muitas vezes, nós criticamos nossos filhos porque eles querem ficar jogando. Minha geração cresceu junto com os jogos eletrônicos. E ignorar esse fato seria, no mínimo, ser negligente. Por mais que notícias e boatos sobre a influência negativa dos jogos pipoquem diariamente na mídia, uma coisa é certa: os video-games não vão acabar. Essa é uma das mais lucrativas indústrias de entretenimento da atualidade, movimentando por volta de trinta bilhões de dólares. Então o que fazer?

Simples. Tentar usar os jogos da melhor forma possível; ou, pelo menos, minimizar os efeitos ruins que eles podem trazer. Já imaginou se ao invés de alienar os games pudessem educar?! Hoje já é realidade a utilização de jogos eletrônicos em treinamento de médicos cirurgiões, de pilotos de avião etc. E por que não desenvolver games comercias que passem algum tipo de aprendizado? E não estou falando que o jogo tenha que ser chato. Muito pelo contrário. Imagine um jogo desses em que um personagem pega uma espada e saí por aí travando batalhas. Basta fazer algumas adaptações e implementar elementos que possibilitem, por exemplo, o jogador aprender algo sobre a idade média para poder passar de fase. Pode parecer absurdo, mas é possível, só falta boa vontade; pois criatividade tem de sobra.

Isso poderia ser utilizado em várias disciplinas. Na Califórnia, por exemplo foi desenvolvido um video-game para crianças que sofrem de câncer no qual a personagem tem que destruir células malignas. Nessa mesma linha, basta só dar uma reformulada na ambientação e no “roteiro” dos jogos para adequá-los a qualquer área do saber.

E antes que questionem, ressalto que isso, em hipótese alguma, é uma forma de substituir as aulas e os professores. Mas cá entre nós, não seria o máximo ao invés de responder questões de uma prova tradicional, o aluno ter que “zerar” um jogo que testa seus conhecimentos para passar de ano?!

Não se trata de devaneio ou revolução. É simplesmente utilizar as ferramentas que temos a nosso favor. É isso já começou. Os video-games, hoje, já são utilizados na recuperação de pacientes hospitalizados, por exemplo. Basta uma rápida pesquisa na Internet para conhecer diversos relatos de experiências bem sucedidas nessa área.

“A Keck School of Medicine, da University of Southern California, publicou detalhes sobre um estudo com 20 crianças que tinham de usar sondas intravenosas.

Metade delas passaram pela inserção enquanto jogavam ‘Street Luge’, um jogo de realidade virtual em que os usuários pilotam um skate morro abaixo. As crianças usavam capacetes equipados com fones de ouvido e óculos que transmitiam as imagens do jogo, controlado por um joystick.

As crianças que não jogaram ‘Street Luge’ se queixara quatro vezes mais de dor com o procedimento, enquanto as que foram distraídas pelo game de realidade virtual não registraram alteração na intensidade da dor.

Enquanto isso, o Center of Allied Health Evidence da University of South Australia fez um estudo com crianças com queimaduras graves e descobriu ‘forte evidência’ que apóia o uso de jogos de realidade virtual na administração de dor.

De maneira semelhante, médicos do Chaim Sheba Medical Center, em Israel, usaram a câmera EyeToy, do PlayStation 2, como ferramenta de reabilitação de pacientes com queimaduras graves. Em artigo publicado, os pesquisadores disseram que o método provou-se eficiente e acessível.” (Fonte: http://info.abril.com.br)

Isso deu tão certo que uma das maiores empresas de games do mundo, a Nintendo, patrocina um projeto que quer levar os video-games para mais de 3.500 hospitais, no intuito de combater a sensação de isolamento e medo de crianças hospitalizadas.

E tem mais! Lembra quando sua mãe gritava: “Larga esse video-game, senão você não vai ser ninguém na vida!”? Pois é, ela se enganou. Hoje os jogos eletrônicos são uma das carreiras mais promissoras. Só no Brasil existem cerca de 50 cursos, entre técnicos, graduação e pós-graduação, ligados ao desenvolvimento de games. A maioria (60% deles) se concentram no Rio de Janeiro e São Paulo, seguido de Pernambuco. Segundo a revista americana Game Developer a média salarial dos profissionais ligados às áreas de programação, arte/animação, game design, produção e testes de qualidade varia de 38 mil a 120 mil dólares por ano.

Então, quem sabe não seria hora de deixar um pouco de lado os preconceitos para com os games e, ao invés de apenas criticar, começar a pensar formas de melhor de utilizá-los?

Ah! E para você que é da minha geração, clique aqui e baixe alguns dos antigos jogos do Atari.

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