Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Jeito masculino

Pai Solteiro

“É cada vez mais comum ao universo masculino rotinas como arrumar os filhos para a escola, ajudar na lição de casa, trocar fraldas, dar mamadeira, fazer faxina, ir ao supermercado, lavar, passar…

Por Leonardo Dualit


Confesso: Eu brinco de bonecas! E não é só isso. Sei cantar e dançar todas as músicas do DVD da Xuxa e não perco um episódio das Meninas Superpoderosas. Além disso, aprendi a lavar e passar roupa, a fazer trancinhas nos cabelos e a escolher calcinhas na sessão de confecções femininas…

Não, não é nenhuma mudança de perspectiva na minha orientação sexual. Muito pelo contrário, foi preciso começar a fazer essas coisas para, enfim, saber o sentido verdadeiro de expressão “ser homem”.

Contraditório? Nada disso. A masculinidade se torna plena no momento em que você percebe que é mais do que um simples homem. É quando você percebe que é Pai. No meu caso, pai de uma menina linda. E como dizia aquele comercial de tv: “não basta ser pai, tem que participar”. Então, que venham as bonecas, os vestidos, as maquiagens etc.

“Hoje o lugar do pai se ampliou, saindo somente do aspecto ligado à sobrevivência e aos limites, para uma abrangência de afetos e compromissos emocionais”.

Essa é a opinião da terapeuta especialista em relacionamentos e presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar de São Paulo, Sandra Fedullo Colombo, em entrevista a Revista “Vida e Arte” (Edição julho/2006). A cada dia (mesmo de
forma modesta ainda) cresce o número de pais que criam seus filhos sozinhos; e não vamos perder tempo questionando os motivos disso, se foi por uma viuvez precoce, por separação, adoção ou porque a esposa

trabalha demais… O interessante nessa questão é que com essa mudança de comportamento podemos discutir com mais clareza o lugar do pai na família atual, ao mesmo tempo em que cai por terra aquela antiga idéia de que o pai era apenas o provedor da família, o pilar de sustentação, o exemplo da força que não demonstrava seus sentimentos, muito menos manifestações mais intensas de afeto.

É cada vez mais comum ao universo masculino rotinas como arrumar os filhos para a escola, ajudar na lição de casa, trocar fraldas, dar mamadeira, fazer faxina, ir ao supermercado, lavar, passar, cozinhar (ou pelo menos pedir comida para os casos como eu que não sei nem fritar ovo). E isso não é só para os pais solteiros não. Com as mudanças de paradigmas da sociedade atual, na qual a mulher conquista cada vez mais espaço, trocando a casa pelo escritório, os homens começaram a assumir algumas dessas funções domésticas também, caso contrário as vítimas seriam as crianças; pois com os pais fora, quem ira dar atenção a elas? Uma babá? Nada contra, mas elas nunca substituirão o pai e a mãe. Com isso, evidencia-se a importância da figura do “pai solteiro”, seja aquele que realmente cria os filhos sozinho ou aquele que assumiu esse dever (ou melhor, prazer) por mais tempo do que a esposa, porque ela passa a maior parte do dia no trabalho.

Então, caro pai (solteiro ou não), você não é apenas um reprodutor, nem chefe de família. É mais que isso. Você é fundamental na vida do seu filho. Então, aprenda o prazer de vivenciar cada momento desse presente magnífico que se chama paternidade. Ah, e não se preocupe com as noites mal dormidas… Elas valem muito a pena. Para se ter uma idéia, hoje, que minha filha já não acorda mais de madrugada, eu, vez por outra, me levanto e passo horas só olhando ela dormir… E me perco naquele ressonar suave, lembrando da época que ela era apenas uma bebê, quando, depois de dar mamadeira, eu ia para o jardim cantar para ela dormir.

Por isso que hoje eu tenho orgulho de dizer que brinco sim de bonecas. Porque é por mim que minha filha chama quando quer brincar. É foi pra mim que ela fez esse lindo desenho de presente do dia dos pais.

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Leonardo Dualit, Jornalista de vez em quando e Pai em tempo integral

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1 Comentário»

  Ana Raquel wrote @

Nossa, seus textos se superam a cada edição da revista. Suas palavras se interligam de uma maneira brilhante. Ainda não sou mãe, mas quando leio textos como o seu sinto uma vontade enorme de ter uma criança em minhas mãos me chamando de “mainha” 🙂
Parabens de novo.
bjos


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